A factura de água ronda em média os €0,0023 por litro e cerca de 40% dos contadores nacionais apresenta consumos no 1º escalão de água, ou seja, consumos inferiores a 5m3, onde o preço médio é de €1,15 por cada 1000 litros de água (mil litros=1m3).
Esta é uma das conclusões da Aquapor num estudo que desenvolveu sobre consumos de água em Portugal, com base em 4 milhões de registos de consumos de 288 mil habitantes, distribuídos por 10 municípios.
Com o objectivo de definir o perfil do “consumidor tipo” português, bem como a sua evolução nos últimos 4 anos, a Aquapor destaca o seguinte:
O consumo médio diário por habitante (capitação) é de 109 litros/dia em ambiente misto (rural e urbano). Contudo, a capitação total necessária para um habitante é mais do dobro: 230 litros/dia, pois inclui perdas de água, consumos autárquicos (lavagem de ruas, rega de espaços verdes, etc) entre outros usos.
Em ambiente urbano, o consumo por habitante passa dos 109 para 137 litros/dia.
As capitações domésticas registadas pela Aquapor ao longo de 4 anos são inferiores às estatísticas disponíveis – nacionais e internacionais.
Cerca de 40% dos contadores apresenta consumos no 1º escalão de água, ou seja, consumos inferiores a 5m3. Neste escalão, o preço médio é de €1,15 por cada 1000 litros de água (1 m3).
Uma factura de 5m3 tem um valor de €11,75, ou seja, o preço de um litro de água é de €0,0023. A factura inclui a cobrança de água, saneamento e recolha do lixo.
Cerca de 16,6% dos contadores apresenta consumo zero, correspondendo esses contadores a habitações de emigrantes, segundas habitações, contadores de garagem ou de anexos, contadores avariados.
As grandes ineficiências e desperdícios de água verificam-se a montante das habitações domésticas. O INAG refere que as perdas de água em Portugal ascendem a 32% do volume de água captada.
Em face do cenário revelado a Aquapor defende:
Necessidade de reduzir perdas de água, pela redução de perdas comerciais, na detecção de ligações clandestinas ou não autorizadas e na redução de perdas técnicas – roturas e fugas ‘permanentes’
Os roubos e perdas técnicas de água apresentam um elevado custo ambiental e económico, tanto pelo desperdício de água que representam, como pelos custos com reagentes e energia associados a esse desperdício.
Cabe às Entidades Gestoras (empresas públicas e privadas, autarquias e Estado) melhorar a eficiência das suas redes de distribuição.